Terça-feira, 20 de janeiro de 2026.
Gente, pensei muito antes de falar sobre isso, e creio que todos vocês já sabem: eu não sou absolutista com relação aos lácteos (diferente da minha posição sobre glúten e soja).
Hoje em dia, o debate sobre leite e derivados parece até uma disputa de Fla-Flu: um lado diz uma coisa, o outro diz outra. Isso me incomoda, porque o medo gerado por informações incompletas ou agressivas às vezes faz tanto mal quanto consumir um enroladinho de salsicha, frito em óleo de soja.
Faz anos que acompanho esse debate, e ele continua intenso — cheio de opiniões, informações novas chegando o tempo todo e muito conteúdo para lapidar. Por isso, quero explicar meus critérios e mostrar o que defendo hoje, com base em estudo, experiência e observação prática.
Eu nunca defendi o leite como bebida cotidiana. A lactose (o açúcar do leite) é algo que o corpo humano não precisa, e para muitas pessoas, o leite significa desconforto, inflamação ou estímulo estrogênico extra.
Mas isso não significa que tudo está perdido, e apesar das ressalvas, sempre fui e continuo sendo a favor de alguns lácteos, respeitando critérios e individualidade, como:
• Queijo amarelo, bem curado (de vacas A2A2, cabras, búfalas): pouco ou nenhuma lactose, proteína parcialmente digerida pela fermentação, rico em vitaminas A, D e K2. A fermentação e maturação quebram grande parte da beta-caseomorfina, tornando-a muito melhor tolerada que no leite — lembrando que a beta-caseomorfina com efeito opioide está principalmente no leite A1A1; no leite A2A2 ou em derivados fermentados, seu efeito é praticamente irrelevante. A remoção de boa parte da lactose também tende a reduzir a quantidade de estrona disponível, que vem do hormônio da vaca prenha, geralmente mais presente em leite industrial (por conta dos métodos de produção). Isso, novamente mostra que queijo e leite possuem perfis completamente diferentes.
• Manteiga (melhor se ghee, mas a manteiga comum também tem benefícios): é fonte de ácido butírico, essencial para a saúde intestinal, além das vitaminas lipossolúveis.
• Leite cru e iogurte A2A2: valorizo como ferramenta terapêutica, principalmente pela forma como interage com a flora intestinal. Mas não é para todo mundo, nem qualquer leite serve.
Aqui, o que ensino é critérios claros, não regras absolutas. Cada corpo responde de um jeito, e respeitar essa individualidade é essencial — e é isso que a naturopatia ensina: a tua individualidade é soberana.
Agora, se tu decidiu consumir lácteos, alguns pontos são fundamentais:
• Quantidade e frequência: nem todo dia, nem em excesso.
• Tipo de animal: industrial x pequeno produtor; vaca A1 x A2; cabra ou búfala. Isso faz muita diferença!
• Situação do corpo: inflamação, metabolismo, individualidade digestiva, equilíbrio hormonal e por último, o objetivo do alimento: proteína, gordura, probióticos, vitaminas.
O teu corpo é sábio e honesto — ele vai sinalizar o que funciona ou não pra ti.
E o que dizem os dois lados dessa moeda? Alguns especialistas defendem a eliminação total do leite, apontando risco hormonal (por excesso de estrona), inflamatório e até cancerígeno, e efeitos opióides em algumas populações (pelas beta-caseomorfinas).
Outros defendem seu consumo, valorizando nutrientes como proteína, gordura boa, K2 e probióticos.
Mas o ponto central é: há verdade nesses dois discursos, mas com nuances. Nem todo leite é igual e existem muitos asteriscos nessa história:
• Qual tipo de lácteo?
• Em qual quantidade?
• Para quem?
• Por quê?
O debate nunca é simples, e é justamente por isso que trouxe esse tema para vocês: para mostrar que há nuances, que a individualidade importa muito e que não precisamos viver reféns do medo ou da culpa.
E tem mais: além da ciência moderna, os saberes ancestrais também oferecem perspectivas interessantes sobre o tema, e como eu me alimento dessas duas fontes — Ayurveda e Dietoterapia Chinesa —, vou mostrar o que elas dizem:
• Na dietoterapia chinesa, os derivados lácteos fortalecem o Baço e beneficiam o corpo em diversas situações, desde que consumidos com moderação, pois o excesso pode gerar umidade (e sobre o problema do excesso, todas as literaturas são unânimes).
• Para a Ayurveda, os lácteos de boa qualidade e manteiga são fontes de Ojas, de energia vital, mas devem respeitar a constituição individual — ou seja, cada biotipo (ou Dosha) responde de forma diferente ao consumo de lácteos.
Minha posição aqui é transparente: quero deixar claro que estou estudando o tempo todo e que posso mudar de ideia, que essa é minha opinião hoje, baseada no que sei, na minha experiência e nos estudos que acompanho.
Pode ser que, daqui a alguns dias ou semanas, novas evidências me façam refletir ou ajustar minha posição, e isso é natural quando se lida com alimentação. Hoje, defendo o consumo de derivados lácteos com critério e sempre com atenção à individualidade de cada corpo.
O que me fez escrever esse texto, foi o fato de nós últimos tempos, novos estudos têm surgido correlacionando excesso de estrogênio com risco de câncer em mulheres, mas sobre isso só me posicionarei depois de muita leitura e análise cuidadosa, pois o leite (principalmente os derivados fermentados, escolhidos com critério) podem não ser o único fator que aumenta a predominância estrogênica, principalmente numa alimentação consciente. Meu objetivo aqui é trazer informação, mostrar critérios e nuances, e não gerar medo ou culpa.
A minha percepção sobre os desequilíbrios hormonais é, antes de tudo, multifatorial. Hoje, estamos expostos a estrogênios e substâncias estrogênio-miméticas vindas de várias frentes ao mesmo tempo: resíduos de contraceptivos hormonais presentes na água que chega às nossas casas; uma alimentação moderna desregrada, rica em ultraprocessados, óleos pró-inflamatórios e soja; cosméticos e produtos de uso diário carregados de disruptores endócrinos muitas vezes invisíveis no rótulo; além do estresse crônico da rotina contemporânea, que por si só já altera o eixo hormonal e inflamatório do corpo. Diante desse cenário, reduzir toda a discussão a um único alimento é uma simplificação perigosa. Não se trata de demonizar nem de romantizar nenhum alimento isoladamente, mas de compreender o contexto, as somas, as cargas e a individualidade biológica de cada corpo.
Resumidamente, a minha opinião (hoje): o queijo, a manteiga e certos lácteos podem ser aliados de saúde — mas sempre com critério e atenção ao ritmo e momento do teu corpo.
O leite comum, por outro lado, não é essencial e está longe de trazer benefícios.
Por falar em leite comum: leites tipo A1A1 e seus derivados A1A1 (principalmente os não fermentados), são frequentemente causas de inflamação, alergias, intolerâncias e efeitos opioides.
Em resumo: queijo amarelo, bem curado é saudável sim, assim como alguns fermentados lácteos, mas com critério, porque a fermentação reduz a beta-caseomorfina e a redução da lactose diminui a estrona biodisponível (que vem do hormônio da vaca prenha).
E lembre-se: o leite não é essencial, e o respeito pela individualidade biológica e os sinais do corpo é sempre prioridade.
Betânia Sartório Nunes da Silva. Naturopata e Health Chef.
Especialista em Nutrição na saúde e no tratamento de doenças, e em Dietoterapia Chinesa.
