Cozinha Terapêutica com Betânia Nunes Transforme tua saúde, comendo Desinflamação e saúde metabólica Cozinha Terapêutica com Betânia Nunes Transforme tua saúde, comendo Desinflamação e saúde metabólica Cozinha Terapêutica com Betânia Nunes Transforme tua saúde, comendo Desinflamação e saúde metabólica Cozinha Terapêutica com Betânia Nunes Transforme tua saúde, comendo Desinflamação e saúde metabólica Cozinha Terapêutica com Betânia Nunes Transforme tua saúde, comendo Desinflamação e saúde metabólica
O desabafo da louquinha

Dia 05 de novembro de 2025. 

Permita que me apresente de um modo diferente.

 

Talvez vocês já saibam disso pela quantidade de vezes que eu falei aqui: foi uma intolerância ao glúten — e um pré-diabetes — que me fizeram mudar a minha alimentação, buscar um caminho mais saudável.

E, quase ao mesmo tempo, o Martín chegou. Chegou com síndrome de Down (que é quando a pessoa nasce com trissomia do cromossomo 21).

E foi por causa dele que eu comecei a procurar óleos essenciais, no início, só pra cuidar dele mesmo.

Mas uma coisa puxou a outra, e assim eu conheci a naturopatia.

Me apaixonei, e resolvi transformá-la em profissão.

 

Só que essa parte da história vocês ainda não conhecem, e é essa que eu quero contar agora:

Na época, fui orientada a abandonar a profissão de chef de cozinha, de gastróloga, mas eu estava recém-formada. Pra mim, ouvir isso doeu.

Eu amava o que fazia - cozinhar, estudar alimentos.

Então resolvi fazer diferente: em vez de abandonar a confeitaria, decidi transformá-la.

Pensei: “Já que eu não posso nem abrir um saco de farinha de trigo, vou fazer produtos sem glúten, funcionais.”

E eu estava certa de que isso ia ser incrível.

 

Mas essa parte da história não é romântica, não...

Comecei a fazer brigadeiro sem açúcar, sem lactose, brownie low carb, snacks de batata-doce fritos na banha, com sal rosa.

E lembra que eu disse que a conversa não ia ser romântica? Pois é…

Nessa época, eu que já estudava naturopatia e estava decidida a não olhar pra trás.

Comecei a vender minha confeitaria saudável, e foi aí que começaram as chacotas:

“A louquinha come ovo frito.”

“A louquinha diz que sal é saudável.”

“A louquinha come manteiga.”

 

Alguns clientes diziam, ironicamente:

“Eu gosto é daquelas comidas que entopem as artérias.”

Outros questionavam meus ingredientes, dizendo que meus snacks fritos na banha eram venenosos e que eu devia fritar no óleo vegetal.

 

E, pra piorar, quando encontrava alguém com restrição ao glúten, ao leite ou ao açúcar, essa pessoa sentia medo de comer.

No fim das contas, o atelier durou mais poucos meses. Fechou. Faliu.

E eu voltei a vender de porta em porta, como no começo, mas,ndessa vez, a alegria e a energia já não eram as mesmas.

A cada dia eu ficava mais opaca, mais cansada, mais triste, e nesse contexto desejar que um estranho com restrições alimentares confiasse em mim… era pedir demais.

Sim, eu passei por isso!

 

Eu perdi 80% da clientela, e da renda também.

Mas, ainda assim, fiz novos amigos, novos clientes, comecei a conversar com gente incrível, que trocava ideias incríveis. Foi um momento novo.

Mas, ao mesmo tempo, confuso, quase triste.

De um as lado, tinha pessoas zombando das minhas escolhas, me cancelando por pensar diferente, por não aceitar um bolo de cenoura com cobertura de brigadeiro.

Elas zombavam — e ainda zombam.

Elas não compreendiam — e ainda não compreendem.

 

Do outro lado, tinha um pequeno grupo que me aceitava do jeito que eu era, que gostava da a minha nova versão, que trocava ideias boas comigo e aquecia meu coração no meio dessa turbulência toda.

Mas eu estava trabalhando demais e ganhando praticamente nada, e foi ali que eu percebi: a confeitaria já não cabia mais pra mim.

 

Mais ou menos nessa época que a Brena chegou.

E quando ela ainda tava no meu ventre, eu fiz um acordo comigo mesma:

“Vou fazer só as entregas pros clientes fixos, até o final da gestação.”

E assim terminou a Affetto, confeitaria funcional. Assim, me despedi da Betânia confeiteira.

 

Quando a Brena nasceu, eu já estava decidida a fazer a minha transição de carreira, virar a Betânia mentora, que ensina as pessoas a desinflamar, a viver melhor.

A Betânia que queria escrever, inclusive, já começou:.ela já tem dois e-books e um livro digital.

 

Mas é aqui que entra mais uma parte da história que eu ainda não tinha contado pra vocês.

Vocês lembram das enchentes aqui no Rio Grande do Sul, em maio de 2024? Pois é.

Naquela época, a Brena tinha um mês, e o Martín dois anos e meio.

E eu fui obrigada a me mudar, por causa da chuva que piorou um problema estrutural na casa.

 

Não é ingratidão da minha parte dizer isso, mas eu não queria ter me mudado.

Não naquele momento. E não daquele jeito.

 

Não foi fácil recomeçar sem o atelier, sem um escritório, sem condições no celular pra criar um vídeo de qualidade, pois naquela função meu telefone trincou, bem em frente ao obturador da câmera, dificultando até a resolução da tela.

E eu usei ele assim mesmo, com o pé de canela atrás de mim, gravando meus vídeos ali, como vocês têm visto.

 

E por que eu tô contando tudo isso?

Porque eu recomecei do absoluto zero, recomecei sendo zombada, sem dinheiro sobrando pra comprar um celular novo, sem dinheiro sobrando pra comprar minha manteiga, sem poder usar o óleo essencial que eu ensino as pessoas a usar.

Com todos os meus gastos no colo do meu marido - que nunca reclamou, e foi incrível durante toda essa turbulência.

Se não foi fácil pra mim, imagina pra ele, que teve os desafios dele e ainda foi base firme quando eu tremi.

 

Mas sabe? Não era isso que eu imaginava pra minha família naquele momento. A gente merecia muito mais!

 

E quando a Betânia retornou e iniciou sua jornada de gastróloga e agora, naturopata também, veio mais uma:

Eu não sei se foi a chegada da inteligência artificial, ou o tanto de informação depois do Covid que mudou o jeito das pessoas verem o mundo...

Mas quando eu voltei, voltei fazendo vídeo em frente a uma árvore, por falta de cenário.

Com o telefone trincado na frente da câmera.

E, enquanto isso, eu via vídeos incríveis ensinando sobre os benefícios da água com sal.

Chovia gente mostrando o problemão do excesso de ômega 6 na alimentação, dos aditivos, falando até sobre molho e germinação de grãos.

 

E eu pensava: “Mas é o mesmo assunto que eu falo desde 2022! Falava sozinha. E falo sozinha.”

Posso dizer que fico feliz em ver o mundo mudando, sim, mas também sinto dor.

Dor por continuar sendo a louquinha que come manteiga, a atrevida que não quis provar uma fatia de bolo de cenoura, a louquinha que falava sozinha sobre tudo isso, talvez por falta de status, ou de cenário, de roupa bonita.

Sempre acreditei que quando queremos algo, vamos atrás, sem desculpas, mas dessa vez, eu vi minha teoria fracassar.

A louquinha que falava em frente a um pé de canela, não deve ter um escritório. E não tem.

A louquinha que parece estar cansada, parece estar até acima do peso. E sim, está mesmo.

 

O que aconteceu comigo é que eu fui tão zombada pelas minhas escolhas, por querer uma vida próspera e plena pra minha família, e principalmente pro Martín (que foi quem me ensinou a buscar mais e melhor), mas só agora consigo entender que foi tanta crítica, tanta solidão nessa caminhada, que em determinado momento eu me senti indigna de ser minha nova versão.

Me permiti falir. Quebrar. Recomeçar do absoluto zero. Passar por toda essa dificuldade.

 

Mas essa Betânia que nasceu agora… entendeu tudo isso.

E esse desabafo é também um marco, de uma nova compreensão, de uma nova fé, para seguir sendo quem sou. A Betânia de hoje acredita que ela merece.

E acredita que tu, que leu esse texto até aqui, também merece. Merece ter autonomia pra fazer as tuas escolhas e p celebrá-las, com saúde, paz e felicidade.

 

Inclusive, eu que já tinha falado, sobre as gorduras, sobre o sal, sobre tudo que nossos avós sabiam.

E sobre esse enredo de uma indústria que quer te entupir de tudo que não nutre, por dinheiro.

 

Estou ótima, só pra não te preocupar. A Betânia de agora, está consciente de quem ela se tornou, do que ela quer e do que ela vai ensinar, pra quem quiser aprender.

Obrigada por ter lido! 

Desabafo da louquinha.